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Camboriú Boulevard: por que R$ 235.107,00 acima da mediana exigem outra leitura

Camboriú Boulevard — Tabuleiro, Camboriú SC

Entre os oito empreendimentos do Tabuleiro que divulgam preço, o Camboriú Boulevard ocupa sozinho a última posição da lista: R$ 1.005.464,00, o único acima de um milhão no bairro. A mediana da região está em R$ 770.357,00 — uma distância de R$ 235.107,00, ou cerca de 30% acima do valor central, pelo cálculo do portal sobre essa amostra.

Isso não torna o produto caro por si só, mas inverte o ônus da análise: quem paga o teto de um bairro precisa saber com precisão o que está comprando acima da média. Nos blocos abaixo, a comparação com o segundo colocado da lista, o que o registro de obra em 100% com entrega datada em março de 2026 exige de verificação imediata e para que perfil de comprador essa conta fecha.

R$ 1.005.464,00: o topo isolado da tabela do Tabuleiro

O Tabuleiro reúne 17 empreendimentos mapeados e 14 construtoras, dos quais apenas 8 divulgam valor. Nessa amostra, a faixa vai de R$ 647.786,00, no West Coast Residence, entregue em maio de 2025, até os R$ 1.005.464,00 do próprio Camboriú Boulevard. Ele está no percentil 100 do bairro: nenhum concorrente com preço público custa mais.

O segundo colocado é o Felicità Eco Residence, a R$ 990.000,00, entregue em setembro de 2024 — diferença de apenas R$ 15.464,00. O topo não é um degrau solitário: são dois no mesmo patamar e, depois deles, um vazio até R$ 773.014,00, do Noronha. Do Camboriú Boulevard ao mais barato do bairro vão R$ 357.678,00, pelo cálculo do portal.

Compensa pagar R$ 235.107,00 acima da mediana do bairro?

Depende do que essa diferença compra, e a metragem sozinha não explica. A faixa central do Tabuleiro é ocupada por quatro projetos entre R$ 766.666,00 e R$ 773.014,00, e dois deles chegam a metragens maiores que a do Camboriú Boulevard: o Fikus Residence vai a 150 m² e o Boulevard Figueira a 124 m², contra os 72 a 95 m² registrados aqui. Área não é o que separa esse imóvel dos vizinhos de tabela.

O que separa é estágio. Os quatro projetos da faixa central entregam entre julho de 2028 e dezembro de 2030; o Camboriú Boulevard aparece na base com percentual de obra em 100%. Comprar pronto, ou quase pronto, sempre custa mais do que comprar na planta — o comprador troca prêmio de preço por eliminação do risco de obra e do reajuste de saldo devedor por índice setorial durante anos de construção.

O que não dá é aceitar o prêmio sem dimensioná-lo. Pagar cerca de 30% acima da mediana para antecipar três a quatro anos é conta que fecha para quem tem uso imediato do imóvel. Para quem entra pensando em revender adiante, o preço de entrada já parte do topo da régua local — e é aí que a margem encolhe.

Obra em 100% e entrega datada em março de 2026: o que verificar agora

O registro traz duas informações que precisam ser conciliadas antes de qualquer proposta: percentual de obra em 100% e status ainda como "em obra", com previsão de entrega em março de 2026, data já vencida no calendário. Não é necessariamente contradição — obra concluída e entrega formalizada são etapas distintas, e a segunda depende de licenças que não estão no cronograma físico.

Na prática, a pergunta deixa de ser "quando fica pronto" e passa a ser "o que ainda falta para entregar". Peça o habite-se, a averbação da construção na matrícula e a data de instalação do condomínio. Sem essa documentação à vista, obra concluída e imóvel entregue não são a mesma coisa.

Vale ainda conferir o registro de incorporação no cartório de registro de imóveis, exigido pela Lei 4.591/64 antes da comercialização das unidades. É consulta simples, feita diretamente na matrícula, e continua sendo o primeiro filtro de segurança mesmo quando a construção já terminou.

Uma suíte em plantas de até 95 m²: para quem fecha essa conta

A base registra 1 suíte, de 1 a 2 vagas e área de 72 a 95 m². É uma combinação de metragem generosa com baixa contagem de suítes, o que aponta para um comprador específico: casal sem filhos, casal com um filho pequeno ou quem prioriza área social ampla em vez de número de dormitórios.

Isso estreita o público. Uma família que precisa de duas suítes encontra, no mesmo Tabuleiro, o Fikus Residence e o Residencial Império dos Coqueiros nessa configuração, por valores próximos da mediana do bairro. Quem paga o teto local aqui está comprando outra coisa — estágio de obra e padrão de área comum —, não densidade de quartos, e essa distinção precisa estar clara antes da negociação.

São 256 tipologias registradas dentro da faixa de 72 a 95 m², número que indica um empreendimento de porte. É vantagem na escolha, mas obriga a comparar unidade a unidade: em prédios grandes, andar, orientação solar e posição da vaga produzem diferenças reais de valor dentro do mesmo edifício.

Três reservas que os dados deixam explícitas

A primeira é o próprio percentil 100. Sem nenhum imóvel com preço divulgado acima dele no bairro, a comparação só pode ser feita para baixo — não há referência superior que ajude a sustentar o valor pedido dentro do Tabuleiro.

A segunda é o acervo da construtora. A RV Empreendimentos aparece na base com um único empreendimento, o próprio Camboriú Boulevard. Sem outras entregas registradas para comparar, não dá para avaliar histórico de prazo pelo portfólio: a checagem tem de ser feita no CNPJ, nas matrículas e em obras anteriores fora desta base.

A terceira é o custo depois da chave. Área comum extensa se paga todo mês, e a despesa recorrente costuma acompanhar o padrão do produto. Peça a previsão de rateio do condomínio e o IPTU da unidade específica: em um imóvel que já parte do teto do bairro, é essa conta mensal que decide se o negócio cabe no orçamento.

Perguntas Frequentes — Camboriú Boulevard

O Camboriú Boulevard é o apartamento mais caro de Camboriú?

Não. Ele é o mais caro do Tabuleiro entre os 8 empreendimentos do bairro com preço divulgado, a R$ 1.005.464,00, mas está longe do topo da cidade. Na base do portal há valores maiores em outros bairros, como o Casa Jerivá, a R$ 3.350.000,00 no Centro, o Sobrado Terras Altas, a R$ 1.280.000,00, e o Cristal Residence, a R$ 1.050.000,00, ambos em São Francisco de Assis. O posicionamento dele é de teto de bairro, não de teto de município.

Quanto o Tabuleiro custa em relação a São Francisco de Assis?

Comparando as medianas das duas amostras, o Tabuleiro está em R$ 770.357,00 e São Francisco de Assis em R$ 686.694,00 — diferença de R$ 83.663,00 a favor do segundo, pelo cálculo do portal. Os dois bairros têm 17 empreendimentos mapeados e 8 com preço público cada um, o que torna a comparação razoavelmente equilibrada. Vale lembrar que medianas resumem amostras pequenas: um único lançamento caro ou barato desloca o número, e a leitura precisa ser feita junto com metragem e prazo de entrega.

Vale mais a pena comprar pronto ou na planta no Tabuleiro?

São estratégias diferentes, não uma melhor que a outra. Comprar na planta no bairro hoje significa entrar na faixa dos R$ 766.666,00 aos R$ 773.014,00 e esperar entre 2028 e 2030, com o saldo devedor sujeito a reajuste por índice setorial durante toda a obra. Comprar pronto ou quase pronto custa mais na entrada, como mostra a diferença de R$ 235.107,00 do Camboriú Boulevard para a mediana, mas elimina risco de cronograma e permite uso imediato. Quem paga aluguel hoje tende a pesar mais o prazo; quem quer parcela leve tende a aceitar a espera.

O que significa estar no percentil 100 do bairro?

Significa que, entre os empreendimentos do Tabuleiro com preço divulgado, nenhum outro custa mais. É uma informação útil e limitada ao mesmo tempo: útil porque mostra que o comprador está no extremo superior da régua local e precisa justificar essa posição com atributos concretos; limitada porque a amostra é de apenas 8 imóveis, num bairro com 17 mapeados. Os 9 que não publicam valor podem estar acima ou abaixo, e isso só se resolve pedindo tabela diretamente a cada um.

Comprar no topo de preço do bairro é um problema para quem investe?

Não é impeditivo, mas encurta o espaço de manobra. Quando o preço de entrada já é o mais alto da amostra local, o comprador perde a margem que existe em quem compra abaixo da mediana e tem imóveis mais caros acima como referência de mercado. Em contrapartida, um imóvel com obra concluída dispensa o período de construção e permite uso ou locação a partir da posse. Nenhum portal sério projeta retorno — a avaliação correta é comparar o valor pedido com o que produtos equivalentes praticam no mesmo bairro e negociar a partir daí.

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